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A formação das equipes de futsal:
a construção do padrão de jogo
Ailson
Santana
ailsonsantana@hotmail.com
Licenciado em Educação Física pela
UFBa
Preparador físico das equipes principal
e juvenil
do Sindicato dos Bancários da Bahia
Coordenador do Artemquadra
www.artemquadra.hpg.ig.com.br
Durante décadas o futsal (especialmente
quando era denominado futebol de salão) viveu
em função do talento individual dos atletas
sem grandes preocupações quanto a evolução
tática.
A natureza muitas vezes estática de algumas
posições em quadra, contribui em muito para
este quadro, no qual existiam poucos esquemas
táticos (2x2, 2x1x1 e 3x1) e a maioria das
variações em cima destes esquemas se devia
ao talento excepcional de algum atleta do
elenco.
O panorama começou a mudar no final da década
de 80 do século XX, quando a criação do
futsal pela FIFA, estimulou a participação
em massa dos países europeus em competições
de futsal da referida associação. Como a
diferença técnica ante os sul-americanos era
sensível a maioria dos "novos"
praticantes, começou a estudar taticamente o
futsal com base não só em suas equipes, mas
também no padrão de jogo adversário. Com
isto surgiram os sistemas 4x0 e 5x0, sendo que
o sistema 4x0 foi uma invenção de um técnico
brasileiro em ação da liga espanhola de
futsal. Já o 5x0 é mais uma variação deste
utilizando a figura do goleiro-linha (um
goleiro que possui uma habilidade ou dominio
dos fundamentos dos jogadores de linha em bom
nivel).
As evoluções táticas decorrem em sua
maioria de observações ou inovações táticas
de técnicos estudiosos, preocupados com algum
aspecto no qual suas não estão executando
devidamente. Este aspecto tático pode ser
defensivo ou ofensivo, utilização ou não de
uma inovações tática dependerá
praticamente das limitações a nivel tático
da equipe e do potencial criativo do técnico.
As funções em quadra podem exercer um papel
de fator limitante das variações táticas
quando se tenta realizar uma modificação no
padrão de jogo desenvolvido até então pela
equipe, este empecilho para uma técnico
limitado pode fazer com que ele acredite serem
impossíveis as alterações por ele
propostas. Neste instante é que o técnico
deve de se utilizar de procedimentos pedagógicos
para diagnosticar e realizar o processo de
aprendizado progressivo das movimentações táticas
que passarão a constituir o proprio padrão
de jogo da equipe ou uma variação dentro do
mesmo.
O principal problema é que se condicionou
as equipes a terem um padrão de jogo e
jogadas tidas como "ensaiadas" ( ou
movimentações especificas) só para
determinadas situações no decorrer da
partida (faltas, tiro de canto ou reposição
lateral de bola). Isto faz com que se perca
uma condição impar de promover o aumento da
capacidade de variação tática da equipe.
Pois se o técnico tiver treinado por exemplo
pelo menos cinco movimentações táticas
diferentes para situações corriqueiras
durante a partida (saída de bola, tiro de
meta, sofrendo marcação sobre pressão, zona
ou mista, substituições táticas etc.) ou
visando explorar um talento excepcional
presente na equipe. Quando este trabalho é
realizado muitas vezes, observamos um técnico
que não "vibra" com sua equipe em
quadra ou parece apático no jogo. Isto porque
as modificações na maneira de atuar da
equipe se processam com um único gesto do técnico
ou com uma simples substituição.
O repertorio tático da equipe é tão
variado que não necessita daquela visão
estereotipada do técnico gritando a beira da
quadra orientando ou reclamando com a sua
equipe. Uma vez que a movimentação adequada
para a situação em quadra já foi treinada e
os atletas a executam sem a intervenção do técnico,
bastando para este se necessário pedir o
tempo técnico para efetuar as correções no
padrão de jogo ou alguma falha na atuação
de sua equipe.
Aqueles que assistiram os dois últimos
jogos da seleção espanhola contra o
selecionado brasileiro, perceberam uma mudança
no modo de atuar da primeira em comparação a
final do Mundial realizado na Espanha em 1996.
Muito disso se deve ao fato do técnico
espanhol ter analisado o padrão de jogo
brasileiro, elaborado um padrão de jogo que
anulasse os pontos fortes do adversário e
atuasse explorando as deficiencias do mesmo.
Tarefa até certo ponto facilitada pelo fato
de apesar de ter mudado três vezes de
treinador desde aquela final o padrão de jogo
do selecionado brasileiro se manteve
praticamente o mesmo.
Metodologia para construção do
repertório tático
O primeiro passo para a construção de um
repertório tático é a seleção por parte
do técnico das movimentações que ele deseja
ver sua equipe executando em quadra. Ele deve
se certificar que os jogadores a sua disposição
são ideais para execução das movimentações
( de nada adianta treinar as movimentações,
que envolvem ações em velocidade pelas alas,
se o ala não tem na capacidade física
velocidade um dos seus pontos fortes ).
Depois da seleção deve-se começar a fase
de "mecanização" da movimentação
tática, para tanto o técnico tem de dispor
de tempo hábil para tal tarefa, não serão
dois ou três dias de treinamento que farão
sua equipe realizar as movimentações
pretendidas. O prazo minimo que aconselho são
três a quatro semanas, realizando a
"mecanização" da movimentação tática
pretendida, mas sem repetir todos os dias as
mesmas movimentações. O processo se
desenvolverá da seguinte maneira:
-
Visualização;
-
Execução;
-
Racionalização;
-
Fixação.
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