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Jogando apenas com o talento: a importância
da preparação física para o futsal de alto
rendimento
Ailson
Santana
Coordenador do Arte em Quadra
artemquadra@hpg.com.br
Os
salonistas em nosso país dado o caráter amador
muitas vezes presentes nos clubes, que disputam os
campeonatos realizados pelas federações
estaduais e a Confederação Brasileira de Futebol
de Salão em todo o país, comumente são
obrigados a jogar unicamente com o seu talento sem
o lastro fisiológico que lhes possibilitaria
melhores exibições de sua técnica desportiva.
Atualmente
existe uma tentativa de profissionalização do
futsal em nosso país, com professores de educação
física assumindo a responsabilidade das funções
da preparação física nas equipes e a remuneração
dos atletas por parte dos clubes em atividade no
Brasil, permitindo uma melhor condição de treino
(evitando a comum jornada dupla dos atletas de
futsal, trabalhar um período e treinar o outro).
Ainda que estas mudanças não atinjam a maioria
das equipes, já possibilita aspirarmos uma mudança
no panorama do futsal em todo o território
nacional.
Nas
competições de futebol de salão da FIFUSA a
supremacia sul-americana é mais que evidente,
tanto que nenhuma equipe européia ou de outro
continente ganhou as competições dessa entidade.
Com o surgimento do futsal por iniciativa da FIFA
passou a ocorrer uma mudança nesse panorama,
tendo as equipes de outros continentes,
especialmente o europeu, equiparando as suas
performances em quadra as das sul-americanas. Após
analisar jogos de futsal e futebol de salão,
percebi que os de futsal tem uma predominância
das ações de jogo respaldadas nas condições físicas,
dos atletas.
Muitos
profissionais e estudiosos das duas modalidades
discordarão da afirmação acima, por no futebol
de salão ter um numero limitado de substituições
exige um maior condicionamento do atleta. Em
compensação no futsal a solicitação dos
sistemas neuromuscular e funcional, dada a sua dinâmica
de jogo, na qual as manifestações de força
explosiva e resistência de velocidade e de força
são requisitadas com maior freqüência. A
equiparação ocorre nesse ponto a escola européia
de futsal, inicialmente buscou o aprimoramento físico-tático
e a melhoria técnica ficou por conta dos intercâmbios
realizados com os paises sul-americanos, com a
contratação de técnicos, preparadores físicos
e atletas para atuar nos campeonatos e ministrar
palestras.
A
vertente física do futsal no Brasil só passou a
ser objeto de estudo e trabalho, a partir da década
de 90 do século XX. Os preparadores e técnicos
atentaram que com um calendário de poucas competições
programadas ao longo da temporada e incertezas,
quanto ao elenco para a temporada, o ideal seria
proporcionar desempenhos máximos a nível da
performance com períodos mínimos de treinamento.
Os erros na preparação física para o futsal
começam nas categorias de base onde se aplica
muitas vezes treinamentos inadequados para a idade
do atleta, como o treinamento de força visando
“fortalecer” o jovem atleta quando possui um
biótipo extremamente magro, só que muitas vezes
o garoto não esta amadurecido organicamente e
perde-se um momento importante onde poderia ser
trabalhada a resistência aeróbica e de
velocidade. Pois além do treinamento de força
inibir o crescimento, o garoto ao entrar na época
de competir não terá muitas vezes o tempo necessário
para desenvolver a resistência aeróbica e de
velocidade e passará a sua provável carreira no
futsal jogando apenas com o talento, por não ter
um bom condicionamento a nível desses dois
fatores físicos. Correndo o risco de sua carreira
ser interrompida a qualquer momento por uma contusão
grave, que resulte num afastamento prolongado das
quadras, pois devido ao seu baixo lastro fisiológico,
o retorno as quadras será bem mais difícil, por
implicar em adquirir já na vida adulta o nível
de condicionamento que deveria ter adquirido nas
categorias de base.
A
importância da preparação física no futsal
A
preparação física nos esportes de alto
rendimento (ou alto nível como preferem alguns
autores) tornou-se algo tão indispensável na
preparação do atleta quanto à preparação técnica
da modalidade esportiva. A mais de 20 anos o
professor Ivan Cavalcanti Proença afirmava “não
dá mais para ignorar a importância da fusão e
do casamento entre as diversas preparações física/tática/técnica”.
E no futsal na perspectiva do alto rendimento não
é muito diferente dos demais esportes.
O
professor Sebastião Araújo ex-preparador físico
do Fluminense Futebol Clube do Rio de Janeiro, em
seu livro O futebol e seus fundamentos – o
futebol força a serviço da arte, destaca que na
preparação de uma equipe é necessário o
treinamento físico, com vistas à aquisição de
uma preparação orgânica, muscular, articular e
desenvolvimento das capacidades físicas do
atleta, possibilitando condições físicas para a
pratica do desporto.
O
futsal é um desporto de intensa solicitação
fisiológica tanto a nível ósteo-muscular,
quanto dos sistemas cardiovascular, respiratório
e demais sistemas funcionais. Isto ocorre devido
à dinâmica de jogo aliada as dimensões
reduzidas (40 metros x 20 metros) em que é
praticado. A demanda fisiológica do futsal é
elevada independentemente do nível no qual se
pratica o mesmo. Assim o nível de solicitação
fisiológica por parte do futsal no organismo dos
praticantes dele em alto nível, denota a
necessidade em prover o atleta de condições físicas
e psíquicas, para que ele possa suportar as
solicitações do jogo com quedas mínimas de
desempenho individual no decorrer de uma
temporada. Alguns estranharão o fato de aqui
nesse artigo sobre preparação física estarem
correlacionadas as preparações física e psicológica,
mas inúmeros artigos científicos nos últimos
anos tem mostrado que a influencia de aspectos
psicológicos inerentes e externos a prática do
desporto de alto nível, em alterações no
desempenho dos atletas.
A
preparação física desempenha um papel
fundamental em possibilitar as adaptações fisiológicas
necessárias para a pratica do futsal de alto
rendimento, com variações mínimas mas
performances individuais e coletivas apresentadas
pelo grupo (equipe de futsal) ao longo de uma
temporada. O objetivo da preparação física é
aprimorar o nível de condicionamento apresentado
pela interação das capacidades físicas, com
destaque para resistência, velocidade, força,
flexibilidade e coordenação ( aqui representada
pelas habilidades motoras. O desafio da preparação
física consiste em através dos meios e métodos
de treinamento, propiciar que o desempenho atlético
aproxime-se ou ultrapasse os “limites” do
atleta.
A
problemática da preparação física no futsal
moderno
Os
espaços “livres” na quadra de futsal para
criação, execução e arremate das manobras táticas
de jogo, tem diminuído consideravelmente nos últimos
anos. Um fenômeno resultante de uma maior ênfase
e aprimoramento dos sistemas de marcação, seja
ela ofensiva ou defensiva, visando induzir o
adversário ao erro. A manutenção dessa postura
tática contribuiu para um aumento da velocidade
das ações de jogo, numa tentativa de superar a
marcação adversária, refletindo numa maior
solicitação fisiológica do organismo dos
salonistas.
O
aumento de uma solicitação fisiológica que já
intensa pela natureza do proprio desporto, levou
ao desenvolvimento de propostas de treinamento físico
para os atletas de futsal, objetivando solucionar
alguns problemas decorrentes das novas condições
táticas:
§
o aprimoramento da capacidade funcional e de
recuperação do sistema cardiovascular e respiratório;
§
aumento das reservas musculares de ATP, CP e
glicogênio, alem da capacidade de trabalho dos
sistemas energéticos;
§
fortalecimento dos sistemas músculo-articulares
para profilaxia de lesões, sem comprometimento da
qualidade técnica individual.
Esses
problemas tem feito com que técnicos e
preparadores físicos passem a planejar de maneira
conjunta as atividades do elenco a sua disposição.
Fato que antes não ocorria devido a presença do
profissional de educação física (geralmente na
função de preparador físico), incomodar o técnico
( muitas vezes um ex-atleta).
O
trabalho conjunto das duas partes é de
fundamental importância com vistas a solução do
terceiro problema acima listado, uma vez que
estudos realizados na Rússia demonstraram ocorrer
menores índices de perda da precisão de
movimentos, decorrente do treinamento de força,
quando o este estava atrelado ao trabalho técnico.
Resumido a força deveria ser desenvolvida
concomitantemente a um trabalho técnico
especifico, respeitando ao período mínimo de
repouso entre alguns treinos mais intensos de
ambas as perspectivas tanto a física quanto a técnica.
BIBLIOGRAFIA
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