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As regras do futsal contribuem para o
desenvolvimento tático do desporto?
Profs.
Paulo Gambier e Fernando Ferretti
Treinadores da Seleção Futsal da Guatemala
As
regras de qualquer desporto servem para normatizar
as ações dos mesmos, dentro de um limite de ações
técnicas e disciplinares. A transgressão das
regras gera de imediato, uma punição, que se
reverte em benefício do adversário.
Penso
que estamos, mais ou menos de acordo, com proposição
acima.Dito isso o que queremos discutir é se uma
seqüência de punições, inibe ou estimula nosso
atleta das categorias de base, no seu
desenvolvimento técnico tático.
A
criança só aprenderá, vivenciando, participando
e que sejam experiências realmente educativas,
longe das pequenas batalhas que invariavelmente se
travam nos jogos das categorias de base, onde os
maiores protagonistas da deseducação são pais,
árbitros e técnicos, e muito menos a crianças.
Em
primeiro lugar, muito se discute qual a melhor
idade para começar a competir, considerando os
aspectos físicos e psicológicos.
A
evolução da fisiologia do exercício, nos últimos
20 anos responde a maioria das perguntas quanto ao
aspecto físico.Já quanto ao psicológico, no que
diz respeito às reações do indivíduo frente as
diferentes facetas da competição, muito há
ainda que pesquisar e responder, embora a presença
do psicólogo na Comissão Técnica seja
imprescindível e indiscutível.
Seguindo
o nosso raciocínio, porque se critica tanto o início
precoce no Futsal, quando na Ginástica Olímpica
se começa aos 3,4 anos e um ginasta aos 19,20 é
considerado um velho?
Responder
esta pergunta requer um pouco de atenção.A evolução
da ciência, em geral e o bombardeamento de
informações dos meios de comunicação,
amadurece muito mais rápido um indivíduo do que
a 15,20 anos atrás.O primeiro presente que um
menino (e por que não as meninas?) recebe é uma
bola de futebol.Começam no Futsal porque os espaços
nas cidades cada vez são menores e porque quase
todo mundo acha que o Futsal é um Futebol de
Campo pequeno, o que não é totalmente mentira
nem totalmente verdade.Alguns clubes de Futebol já
descobriram a qualidade especial dos craques de
campo, que começaram no Futsal. Isso pelo seu
tempo de reação apurado, básico no Futsal e
muito importante nos espaços de Futebol de campo,
onde o jogo se decide.
Então,
a questão central é quem ensina o que, e qual a
qualidade didática desses ensinamentos, e o que
as regras ajudam ou poderiam ajudar na formação
do atleta.
Estamos
de acordo que o início ideal deva ser em torno
dos 7 anos de idade, que coincide com a saída do
chamado Jardim para a primeira série do primeiro
grau. Neste momento a criança reconhece um grupo
distinto do familiar e tem que repartir experiências
fundamentais na natureza associativa do Futsal.
O
que desmotiva as crianças nos primeiros anos de
Futsal é, quase sempre, a má conduta de Pais e
Treinadores (ainda que a nível inconsciente),
preocupados uns em compensar suas frustrações e
os outros só em suas aspirações pessoais.É
comum o caso de Clubes que buscam jogadores de boa
técnica e não se preocupam com a formação tática
do jogador. Enquanto só a técnica e a estatura
fazem diferença, ótimo. Depois o que se vê são
os inúmeros exemplos de mini craques que
desaparecem sem deixar vestígio, impedidos de
chegar ao juvenil e ao adulto.
Outro
exemplo são os jogadores que passam temporadas
inteiras sentados no banco, com pouca ou nenhuma
oportunidade de jogar, privilégio dado a 5,6
jogadores do plantel que tudo resolvem.
Existe
também a desculpa de que jogador de primeiro ano
de categoria não serve para nada mais que
completar treino e perdem a oportunidade de
vivenciar e aprender o que poderia ser útil, de
imediato.
É
neste momento que a mudança de regras, pelos
menos nas categorias não oficias (as oficiais são
infantil, juvenil e adulto) poderiam aportar algo
mais que a punição ao atleta.
Sigamos
os exemplos do voleibol e do basquete onde as
regras se diferenciam nas categorias, de base para
ajudar na formação do atleta.Os treinadores não
se acomodam e tratam de trabalhar, corrigir e
formar atletas, pois sabem que cessitaram de muito
mais gente qualificada para competir.
No
futsal, já existem alguns bons exemplos, como o
da Federação de S.Paulo, que exige que todo
mundo jogue pelo 5 minutos até a categoria Pré-Mirim,
mas há muito por fazer como, por exemplo,
diminuir o tamanho da baliza, que é muito grande
para jogadores até mirim, acabar com laterais e
escanteios batidos direto a área adversária
(isto não se parece com nada que se vê no Futsal
profissional).Não permitir que o goleiro chute ou
passe para chutar direto ao campo adversário,
quicando a bola, etc, etc.
O
que acontece é que um jogador de menos técnica
acaba aprendendo a raciocinar melhor porque sabe
que não vai resolver na habilidade e o jogador
habilidoso, que não é incentivado a raciocinar
porque nos satisfazemos com meia dúzia de dribles
que possam dar.
Indiscutivelmente,
nossos jogadores seguem sendo os melhores do mundo
taticamente, mas precisamos melhorar a qualidade
do que se oferece a nossa criança e a mudança da
regra nas categorias iniciais como chupetinha,
mamadeira, fraldinha, pré-mirim e mirim seria
muito bom para fomentar uma preparação mais
adequada.
Penso
que a Federação do Rio de Janeiro está prestes
a ser a pioneira desta revolução pedagógica,
pois já estuda, com a nossa humilde participação,
(e convidamos todos a fazer o mesmo) algumas mudanças
importantes, já para a temporada de 2001.
Pense
nisso e até breve...
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