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Adaptação e iniciação tática ao
futsal
Rogério
da Cunha Voser
Prof.
mestre da ULBRA, UFRGS e I. Educacional São Judas Tadeu
/RS
Como
em qualquer início de uma atividade nova, é
necessário um período de adaptação.
Geralmente, a primeira semana de iniciação é um
período destinado à ambientação ao futsal
(bola, quadra, professor, colegas, regras). Para a
criança, é um momento muito difícil, onde ela
deverá sentir um clima de afeto e segurança para
que se estabeleça um bom nível de relacionamento
com o professor e colegas. Neste período, deve-se
evitar um grau elevado de exigências. As aulas e
os treinos poderão ter tempos reduzidos se for
necessário. Neste caso, as atividades mais
indicadas serão aquelas que possibilitam a interação
do grupo, através de atividades recreativas, de
familiarização com a bola e quadra para que,
mais tarde, o aluno possa se adaptar ao jogo.
Fases
importantes nesta Adaptação: Eu e a Bola; Eu, a
Bola, o Colega e o Espaço de Jogo; Eu, a bola, o
Colega, o Adversário e o Espaço de Jogo.
Tem-se
observado um despreparo muito grande nos
professores (treinadores) que desenvolvem o
trabalho de iniciação nas escolinhas desportivas
e em equipes de menores. Talvez a ansiedade de
repetir os trabalhos realizados pelas equipes
adultas, a falta de entendimento e percepção de
que a criança tem características, interesses e
necessidades diferentes ao dos adultos, e a pouca
referência bibliográfica sobre o trabalho tático
para crianças, sejam os principais motivos deste
trabalho mal orientado. Não podemos, nesta fase
inicial, obscurecer e impedir a criatividade e a
espontaneidade. Sabe-se que a idade cronológica e
biológica, em geral não coincidem exatamente.
Temos que, através de metodologias apropriadas
para à criança, proporcionar o maior número
possível de vivências motoras, que incluem, não
só os fundamentos técnicos, mas também a
liberdade de ocupações de todos setores da
quadra bem como o entendimento real da concepção
do jogo. É indicado inclusive, que seja
proporcionado ao jovem iniciante a oportunidade de
vivênciar todas as posições do jogo. Observa-se
também que muitas vezes, no trabalho técnico, é
colocado um garoto de frente para outro, exigindo
que realizem uma série de tipos de passes.
Através
de movimentos repetitivos e automatizados, os
mesmos conseguem com certa facilidade executa-los,
contudo, no momento do jogo, começam a aparecer
as dificuldades. Baseado no exposto acima, coloco
algumas reflexões. Será que a tarefa proposta
naquela atividade, de um de frente para o outro
(na maioria das vezes parados), correspondem a uma
situação real de jogo? Na maioria das vezes, a
dificuldade do menino reside na seleção da técnica
mais apropriada para aquele tipo de situação.
Como outro exemplo, podemos citar a condução de
bola. Verifica-se que durante o jogo, quem conduz
a bola se utiliza a todo momento de uma variedade
de tipos de condução (solado, parte interna,
externa etc.), são executados em velocidades
diferentes, em sentidos diferentes, com proteção
da mesma dependendo do lado que vem o marcador,
necessita cabeça erguida, referencial de espaço
da quadra e acima de tudo já prever qual a próxima
técnica que deverá ser executada. (chutar à
gol, passar, driblar, etc.). Nenhuma técnica
acontece de forma isolada durante o jogo.
É
extremamente importante que se proporcione ao
iniciante à aquisição da leitura do jogo.
(compreensão da mecânica do jogo) A conseqüência
didática das considerações acima citadas nos
remetem para a criação de situações de
aprendizagem, nas quais as crianças tenham uma
interação motora em relação ao sentido do jogo
de futsal, aprendendo, ao mesmo tempo, as
destrezas motoras e o sentido do jogo. No jogo de
futsal propriamente dito os jogadores são
envolvidos na situação de ataque, que
corresponde a armação do ataque, armar a
oportunidade de um chute a gol e o chute a gol e
também a situações de defesa que envolve
desarmar o ataque, cobrir a área de gol e por fim
a defesa do gol. O “jogo” é o veículo que
possuímos para implementar os conhecimentos táticos
da criança.
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