Grêmio Macuxis Futsal - Matérias Especiais

 

 

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Futsal na Infância e Adolescência

Profº Jair Machado
043xx995-8580
Londrina-PR
Profº Drº Antonio Carlos Gomes

O Futsal, que inicialmente era praticado como meio de Educação Física, passou por muitas mudanças, profissionalizou-se e, a exemplo de outros esportes no Brasil, esqueceu-se do trabalho de formação, de adaptar o esporte para a prática adequada em várias idades. A estrutura de treinamento dos adultos é utilizada da mesma forma para o trabalho de formação nas etapas de preparação.

Embora a CBFS (Confederação Brasileira de Futebol de Salão) só reconheça oficialmente as categorias Infantil (13 e 14 anos) e Juvenil (15 a 19 anos), as demais categorias inferiores são praticadas em quase todos os clubes e escolas e regulamentadas pela maioria das federações estaduais. Se isto acontece, por que estão dirigentes, técnicos (entendamos como aquele profissional que atua no clube ou associação, com equipes de escolinha de formação ou desenvolvem seu trabalho voltado para a competição) e professores (tratados por nós como o profissional de escolas públicas ou particulares, que se utilizam do futebol de salão como meio em aulas de educação física), alheios ou omitindo-se quando se trata de adequar ou modificar esta prática?

Não se pode esquecer que a criança ou “jovem atleta” é levado à prática do Futsal influenciado pelo meio e, em muitos casos, aspirando tornar-se um atleta profissional, de Futsal ou de Futebol. Mas, para que isto aconteça, devemos lembrar que este atleta não pode ser submetido ao mesmo processo de formação técnica e competitiva dos adultos. O trabalho realizado com crianças deve ter a adaptação adequada, considerando seu desenvolvimento, além de respeitar também os seus interesses.

A determinação do tempo de jogo nas categorias de base, por exemplo, é sempre ponto de discussão entre técnicos e administradores do Futsal. Uma vez que são poucos os estudos relativos à adequação do tempo de jogo para cada idade, não se pode assegurar que 20 minutos de jogo, por exemplo, divididos em 2 tempos de 10 minutos, é mais adequado para uma criança da categoria mirim (11 e 12 anos) ou para uma da categoria Fraldinha (07 e 08 anos - Paraná e Ceará). Obviamente que a composição orgânica de uma criança de 07 anos de idade não é a mesma de uma de 12 anos, que está prestes a entrar na puberdade. Muito menos o trabalho a ser realizado com elas deve ter alguma equivalência em termos quantitativos.

Outro fator determinante na formação de jovens atletas no Futsal é o estresse psicológico causado pelas competições, que seguem padrões - geralmente cópia de competições adultas - de alto rendimento e submetem a criança a um desgaste emocional que acaba acarretando em desvios de comportamento (como o medo, a ansiedade negativa, a omissão, etc) dentro do esporte.

Podemos tomar como exemplo mais clássico, a cobrança ou pressão dos pais sobre seus filhos. Um atleta pode sentir-se incomodado com a presença dos pais quando está em atividade. Isto pode ocorrer devido a um mau relacionamento de pais e filhos dentro de casa (MACHADO 1997). A imagem que os pais passam ao filho durante toda a infância pode causar algum trauma e a criança cresce com um certo receio de expor-se diante dos pais. Os objetivos a este tipo de pais, é sempre bem claro : seja sempre um vencedor, meu filho.

As cobranças impostas à criança, de forma que ela sempre seja a melhor, para satisfazer não a ela, mas ao ego de outras pessoas, tendem a fazer com que a criança se omita de participar mais efetivamente dos treinamentos ou jogos.

Este fato é visível quando notamos que algumas crianças, principalmente nas categorias mais novas (Mamadeira, Fraldinha e Pré-Mirim), buscam uma resposta imediata nos pais quando estão jogando ou treinando, e executam uma atividade. O sinal positivo ou negativo do pai na arquibancada ou mesmo um gesto, demonstra uma dependência exagerada por parte da criança, tornando-a insegura e com fácil perda de concentração.

Contudo, existem também casos em que esta presença é altamente positiva. Casos em que, com a presença dos pais ou amigos e parentes, pode haver melhora da performance. Portanto, o relacionamento que o atleta tem e teve com os pais, o modo que este atleta foi criado, os acontecimentos, os fatos que marcaram sua vida, tudo isto pode influenciar o atleta e seu modo de agir, do início da atividade física por mero prazer, até o treinamento e competição. (MACHADO, 1997)

As situações (inerentes ao processo competitivo) podem exceder os recursos que os competidores possuem para lidar com estas, e esse desequilíbrio entre demandas e recursos é que pode tornar-se o grande fator negativo da competição infantil, pois se a criança ou jovem for submetido a desafios não condizentes ao seu estágio maturacional, poderão aparecer problemas no processo de crescimento, desenvolvimento e maturação, além de implicações psicológicas levando a sérias conseqüências físicas e comportamentais. (DE ROSE JR, 1997).

A interação dos pais, tios, avós, etc, deve acontecer constantemente,. levando sempre em consideração o seu auxílio na formação de conceitos educacionais (relativos ao esporte, em específico neste momento) e psicológicos positivos. Valorizar ações, procurar pontos positivos de equilíbrio para equilibrar os negativos, são algumas atitudes que podem ser tomadas e que irão acrescentar na formação da criança dentro do esporte.

Se estes problemas existem, a saída então seria impedir a participação de crianças em competições?

Obviamente que não. É um desejo natural de aproximação com outras crianças e a participação em atividades que levam à competição, à afirmação de superioridade em determinada habilidade ou jogo... (NAHAS 1985).

Se há a manifestação deste desejo na criança, entendemos então que a forma dela entrar na competição e os sistemas competitivos é que precisam ser repensados e direcionados a uma análise formativa da criança ou jovem na atividade desportiva.

O treinamento de base - já tratado anteriormente como trabalho de formação -, tem como finalidade a formação básica polivalente através de meios e métodos de treinamento múltiplo e de formação geral, bem como aquisição de habilidades e técnicas básicas, visando estabelecer uma base ampla (MANTOVANI 1996), e a competição, o jogo ou o campeonato, como queiram tratar, deve ser um elemento constitutivo deste contexto.

Esta base tem muito das experiências que a criança adquire quando participa de um jogo ou de uma competição. Torna-se importante então, adequar as competições ao processo de formação e entender que o principal objetivo da competição é constituir valores formativos e positivos na criança, para que esta utilize-os em categorias superiores e não seja desestimulada a continuar sua preparação por fatores externos de influência psicológica, como : ser perdedor sempre, sentir-se incapaz, sobrecarregado ou com excesso de responsabilidades. O treino desportivo deve ser orientado para que desenvolva em seus participantes aspectos de autonomia, autoconfiança, auto-responsabilidade, estímulos positivos para situações problemas, além de atitudes sociais como: integração e cooperação, responsabilidade, apoio social e identificação com o meio (SAMULSKI, 1992).

Dentro deste processo, é de fundamental importância o professor, o técnico ou treinador. Cabe a este profissional atuar de forma concreta junto aos pais, dirigentes e diretores, reeducando seus pensamentos em relação ao trabalho de formação, sugerindo e estudando meios de competições nas quais o mais importante seja a criança e não o troféu que a entidade vai ganhar ou a medalha que o pai vai mostrar orgulhoso para seus amigos. A competição ou jogo amistoso ou ainda o festival, deve evidenciar sempre a participação efetiva durante uma partida de um número determinado de atletas, maior do que os cinco iniciantes e que, em muitos casos, são os mesmos que terminam o jogo. Os regulamentos das competições podem e devem prever um número mínimo de substituições e isto quem pode conseguir, na maior parte das vezes, é o treinador, mostrando e provando aos organizadores que todos têm a ganhar com isto.

Este profissional necessita, também, buscar conhecimentos sobre a fisiologia e anatomia da criança, para que entenda o processo de desenvolvimento físico/orgânico pelo qual está passando seu aluno ou atleta.

 

 

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