Grêmio Macuxis Futsal - Matérias Especiais

 

 

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Comportamentos ansiogênicos de treinadores de Futsal

Prof. Michél Saad*

A interação treinador atleta tem sido investigada a partir de diferentes modelos conceituais que procuram considera-la como um fator determinante do sucesso das equipes esportivas. No entanto, as investigações têm tido pouca preocupação em considerar a repercussão emocional desta relação interpessoal na prestação esportiva dos atletas. O objetivo deste estudo descritivo foi analisar os comportamentos de treinadores da modalidade de futsal que tenham impacto emocional negativo nos jogadores durante o processo de interação treinador-atleta no esporte de competição. Participaram do estudo 123 atletas de futsal infanto-juvenil (até 17 anos) de 11 equipes que disputaram a fase final dos Joguinhos Abertos de Santa Catarina de 2000. Utilizou-se como instrumento de coleta de dados o ICAT (Inventário de Comportamentos Ansiogênicos do Treinador) desenvolvido por Serpa (1995), que trata-se de um questionário composto de 27 questões para avaliar as dimensões de antagonismo, decisão, tensão e comunicação da díade treinador-atleta. Na análise dos dados utilizou-se medida de tendência central (média, moda e mediana) bem como os recursos da estatística não-paramétrica contidos no programa Simstat versão 1.2. o nível de significância de 0,05 foi adotado para identificar diferenças significativas nas variáveis do estudo. Os resultados da análise de variância revelaram a existência de diferenças significativas nos comportamentos ansiogênicos dos treinadores, indicando que as dimensões de decisão e de antagonismo apresentam valores mais elevados do que as dimensões comunicação e de tensão em todas as equipes investigadas. Constatou-se também que os comportamentos dos treinadores de ameaçar e perseguir os atletas e manifestar preferências pessoais são aqueles que mais perturbam os jogadores, enquanto que os comportamentos de realçar as suas próprias qualidades (ser convencido), de não se preocupar com o bem estar dos atletas e de inferir nas rotinas de concentração são aqueles que menos perturbam os jogadores. Os dados do coeficiente de correlação de Spearmann evidenciaram a associação entre as dimensões antagonismo, comunicação e tensão com a classificação final obtida pela equipe na competição, demonstrando que os atletas pertencentes as equipes melhores classificadas no evento apresentam valores mais baixos de percepção dos comportamentos ansiogênicos dos treinadores do que aqueles das equipes piores classificadas. De modo geral, as evidencias encontradas confirmam a validade do ICAT enquanto instrumento que permite detectar zonas de disfuncionalidade do comportamento do treinador nos praticantes. Alem disso, confirmam que a percepção dos jogadores sobre os comportamentos ansiogênicos do treinador está relacionada com as suas características individuais, com as características do treinador e com as características do grupo esportivo a que o atleta pertence.

* Pós-Graduado em futsal

Mestrado em Educação Física pela UFSC/SC

Ministrante das disciplinas de Futsal e Futebol na UFSM/RS

Autor do livro: Futsal: Sugestões para Organizar a Sua Equipe

E-mail para contato: saad@sm.conex.com.br

 

 

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